Saturday, February 6, 2010

Noite


Noite escura, fria e tranquila.

Sozinho, vou pisando o solo, pintado de cores menos ténues que o habitual, e sem me aperceber vou destuando da tanquilidade do cenário.

Por mais pequenos que sejam os passos, o movimento diferencia o que estava sereno, intacto, imóvel.

O céu não está hoje pintado por estrelas próximas umas das outras, mas as que insistem em marcar presença, as que persistem em manter a sua assiduidade, são as mais especiais, as que fazem dos nossos olhos uma base neutra, salpicada de minúsculos pontos puros e encandeados.

A lua faz-nos companhia na nossa caminhada, como uma alma imperturbável e observadora, decora os nossos passos e segue-nos em céu aberto, por vezes completa, outras vezes recortada.

O vento insiste em perturbar o nosso termóstato com a sua temperatura encarnada no ar fresco que se faz sentir.

Não nos permite distracções, pois faz questão de nos recordar que também está presente e que constitui um elemento dominante da paisagem. Por essa razão, causa-nos arrepios e penetra-se-nos até aos ossos.

Na cidade, o ruídos sintécticos teimam em sobrepor o silêncio. Acto tão vão como inútil, pois a noite é implacável e impele-nos a adoptar uma atitude submissa às suas regras naturais.

Mas toda ela é fogaz e efémera, tal como as nossas vidas, embora não partilhemos da mesma capacidade regeneadora, que faz a primeira voltar imponente, sublime e poderosa ao fim de um dia.

Chega a manhã, clara e alva, enfraquece as defesas da noite e conquista-a. A noite retrocede e esconde-se na outra metade do planeta. Com passos lentos e duradouros, contorna o globo. Silenciosamente, planeja a sua estratégia e ao fim de horas volta ao modo ofensivo e, com a sua magia, desfaz o ponto final que a luz da manhã assinalou, subistituindo-o por um vazio, uma lacuna a preencher quando o ciclo recomeçar.

Friday, January 22, 2010

Desvalorização


Porquê ser-se sincero, simpático, boa companhia?

Antes valorizavam-se tais valores, agora tudo é diferente.
Gosta-se de certas pessoas, partilham-se momentos com elas, correspondem-se abraços e brincadeiras, somos participantes activos de conversas banais e ocasiões divertidas.

Transpõem-se as conversas banais e fala-se destes comportamentos quotidianos:
O que se recebe em troca?

Temos que nos dar por satisfeitos com injustas críticas e acusações. Somos apontados como um alguém desajustado ao critério geral. Apontados como infantis e impróprios.

Será pura ingenuidade? Deixar-se levar pelo coração e pela razão, e não pela indiferença e má influência. Saber ouvir duas opiniões sobre qual o seguinte passo a tomar, usar a "leviana" razão e conseguir escolher a mais acertada, embora mais difícil, a menos depravadora, é ser inocente, imaturo e frívolo?

Pois, na opinião dessas pessoas, ser-se cabal é agir com desprezo, porque essa é a maneira de fazê-las chegar até nós. Que perspectiva tão rude, crua e ríspida.

Se é a maçaneta dessa porta que tenho que rodar para conseguir adaptar-me, então a minha atitude será permanecer imóvel. Prefiro ver essa porta fechada, afastar aqueles que não apreciam a minha maneira de fazer e de ser.


Hoje sou eu o ser estranho, que essas pessoas têm por perto, até um dia.
Nesse dia, eu já estarei longe, e será nessa altura que valorizarão a minha pesença, os meus valores e virtudes. Talvez seja tarde, poderei ter um acesso de maldade como retribuição às críticas e a minha resposta à reconciliação e arrependimento (dos outros) estará espelhada numa só palavra: NÃO!

E assim, preencherei uma lacuna na vida de alguém!

Friday, January 8, 2010

Como vive o homem na sociedade


Viver passa por uma infinidade de factores sociais, pessoais e inter-pessoais. Não vivemos só para nós mesmos, vivemos em sociedade, com familiares, amigos e estranhos. Podemos, pois, fazer uso do nosso tempo "social" dando-lhe corda e fazendo-o rodar e render de forma agradável, divertindo os outros, tendo uma boa conversa, sendo condescendente e dando provas de confiança.

No entanto, ninguém vive sem SOBREviver. Este prefixo, nesta palavra, tem tanto de ganância como de maldade.

Aparentemente humanos, civilizadamente perfeitos, mas com objectivos. Há quem não saiba alcançá-los da melhor maneira. Por isso, quando se tira a máscara à humanidade primorosa, (quase) tudo o que a vista pode alcançar são corpos com instintos animalescos de conquista e poder. Querem passar uns por cima dos outros, de forma ilícita e incomplacente.

Inexoravelmente frios, demonstram impulsos impróprios em panoramas simples do dia-a-dia.
Dois amigos, frente a um estranho, em que um está sistematicamente a mandar calar o outro e lhe atribui nomes sentenciadores, com intuito de fazer-se afirmar perante o desconhecido aviltando o segundo.
O primeiro passa por imperioso, dominante e (até) cómico, enquanto que o segundo ou fica obliterado, ou passa a ser o objecto de repulsa e escárnio.

Este é um exemplo diminuto, que pode ser testemunhado por um razoável observador, se este olhar em seu redor.
Variantes deste assunto em grande escala, temos os temas já tão batidos e enraizados na nossa sociedade como a discriminação, entre outros.

Acredito que um dia o universo criará pedestais dos quais os obliterados e escarnecidos poderão ludibriar aqueles que se acham o ponto de focagem de todos os holofotes ofuscarão a falsa visão primorosa dos altivos e escarnecedores.

Tuesday, June 9, 2009

Adeus


É verdade que prometi indirectamente que não voltaria escrever tragédias no blog, mas o que aconteceu hoje é inacreditável.

Lisie, uma rapariga tão sorridente, engraçada, faladora, simpática, doce, educada e saudável. O que te terá passado pela cabeça para cometeres uma loucura tão grande.
Será que foste sujeita a pressões elevadas? Será quetinhas falta de afecto ou, de alguma forma, te sentias de parte? Perguntas que ficaram no ar e que atormentarão o intelecto de cada um de nós.
Devias ter pedido ajuda a alguém a quem contasses os teus segredos, ou mesmo a algum amigo que te compreendesse.
O que sucedeu desencadeou uma agitação fortíssima que irá prevalecer para sempre. Não é justa a maneira como nos deixaste e ainda mais pesaroso é o facto de ter sido pea tua própria mão.

Impeles-nos, agora, a conjugar todos os verbos, referentes a momentos e ocasiões, no passado.
Foi um acto corajoso em relação à morte e cobarde em relação à vida. Tu tinhas força, capacidade e determinação par superar esses obstáculos. Acredito que tenha sido resultado de um acumular de factores que o fizeste, porque ninguém faz algo assim tão imprudente de ânimo leve.
Hoje já todos deixámos as lágrimas escorrer, uns ao longo da face, outros em torno do coração.
Neste momento constrangedor resta-me dizer-te um último adeus e lembrar-te que, apesar de já não estares junto de nós, cá dentro a tua presença será intemporal.
Termino este texto indignado com todo este doloroso panorama.

Um Abraço
Descansa em paz, Lisie !
:/

Sunday, June 7, 2009

A Escrever, Novamente



Parecendo que não, já caminho para o desleixo de quase um ano que não faço login aqui no blog. Talvez por ter muito que fazer ou simplesmente por esquecimento. De qualquer maneira, o desinteresse é notável e, como contra factos não há argumentos, nem vou tentar arranjar mais justificações.


Há muito que não escrevo. Subitamente perdi esse vício, nem sei bem porquê. Quando escrevia, normalmente, era para despejar aquele nó na garganta que, concerteza, toda a gente já sentiu. Parece-me que esqueci essa necessidade por não ter tantos problemas emocionais e algumas tristezas, o que até acaba por ser positivo.

No entanto, encaro, por outro lado, a longa data de muita fala e pouca escrita como algo negativo. Espero bem que o jeito para escrever não tenha ultrapassado o "prazo de validade".

Quero conjugar estes tempos minimamente felizes e satisfatórios com os tempos de escrita reconfortante. Por isso, falarei do porquê do acto de escrita, como surge e quando.

Do meu ponto de vista, o meu génio de escritor não é fenomenal, embora já tenha recebido numerosos elogios de colegas, amigos e professores. Consigo transmitir todos os meus sentimentos para o papel, o que considero importante, na medida em que o leitor consegue compreender claramente o que vai dentro da minha cabeça.

É, talvez, uma escrita maioritariamente emocional e uma veia sentimentalista remota, uma vez que não tenho conhecimento de alguém que ocupe um grau de parentesco anterior ao meu que tenha a mesma fluência na produção de texto.

Esta exposição de pensamentos surge ocasionalmente e provém de duas situações: a primeira é a má disposição, a tristeza, o desgosto, a desilusão, no fundo a carência de um desabafo; a segunda situação é através daquilo que uma determinada música desperta em mim e, posteriormente, o seu manifesta. É por esta última que acredito que a escrita e a música são duas artes que andam de mãos dadas.

Vejo escrita como o espelho da alma e como algo que me oferece gozo pessoal. É um acto que, progressivamente, favorece a construção individual através da reflexão, tornando-nos até, pessoas mais racionais e flexíveis nos momentos fulcrais da nossa vida em que tomamos decisões.


Deste modo, findo o terceiro testamento do meu pequeno blog. Espero voltar a escrever brevemente. Cumprimentos!

Friday, July 11, 2008

Insegurança


A vida é feita de rotinas, do quotidiano que por vezes se torna tãão monótono. Sempre as mesmas pessoas, sempre as mesmas caras, os mesmos lugares, o mesmo mundo- mas deste último nao podemos fugir.
As pessoas entram e saiem da nossa vida constantemente. Algumas nem nos marcam com muita intensidade, no entanto nunca as esquecemos.
Fica sempre alguma recordação a ecoar na mente, algo que as caracterizou, seja essa lembrança uma imagem, um rosto, um sorriso, uma gargalhada, uma singela cor ou um simples som...
Entre aqueles que passam por nós, temos sempre alguém que nos marca tanto; pela sua maneira de ser, a sua personalidade, a sua aparência, o seu sorriso, o seu olhar.
Começamos a afeiçoar-nos àquele rosto que, a dada altura, estabelecemos uma relação, em fase inicial, de pacata amizade. Mas, com o tempo, e se formos correspondidos, vamos tendo algo mais para dar e que esperamos receber. Isto porque algo me atrai nesse alguém que me fez sorrir, com quem dei gargalhadas.
Surge aquele turbilhão de sentimentos dentro de mim e, a partir de um simples olhar estremeço e vibro de emoção por saber que estou a ser seduzido por alguém que quero apertar contra o peito, trocar gestos de ternura.
Mil e uma coisas me atravessam a alma, mas a minha consciência impede-me de progredir por pensar que estou a ser precipitado e posso prejudicar-me se ELA for intransigente.
Mas, quando chego a este ponto, fico perdido no meio das minhas emoções, não me consigo orientar por não saber se devo progredir ou recuar.
Nesta fase, a vida está certamente a pôr-me à prova, mas até que ponto este teste pode ser benéfico? Posso passar e ter a recompensa, ou falhar e, mais uma vez, passar um mau bocado. Sinto que não estou a pisar um solo fácil e firme, mas sim um solo abrupto e frágil.
Mas o que devo fazer? Estarei mesmo desarmado ou essa é uma noção demasiado ingénua?
Por vezes penso que o que sinto por ela pode ser algo incerto, mas nesse momento está lá a saudade, a apertar-me o coração. Ter tanta necessidade de estar com ela quer, concerteza, dizer alguma coisa. Penso que tenho de explorar melhor esse intenso sentimento.
Não posso parar o tempo, mas continuarei a ser prudente e terei que tomar uma atitude.

Entre muitas pessoas que já passaram por mim e me deixaram à deriva nos dissabores da vida, quero que esta seja alguém que valha a pena, quero que preencha esta lacuna com algo inesquecível e magnífico, em vez de a preencher com mais uma ferida ou desilusão.

Pedro Teixeira

Wednesday, June 27, 2007

Desperate


Há dias em que a nossa vida se transforma num desespero constante. São alturas em que nos faltam os "mas" que noutras circunstâncias nos servem de remendo. Mas não, porque nestes momentos os factos opõem-se vigorosamente a todos os argumentos. Uma batalha árdua ms com um resultado inevitável: contra factos não há argumentos.
Por isso era tão importante, em nome da satisfação e do bem-estar, que as coisas podessem ser diferentes.

Quero fechar os olhos, quero poder ser indiferente à dolorosa realidade, mas é impossível, porque essa realidade também me abrange, independentemente das minhas preferências.
Mais uma vez a solidão me invade, deixando-me vulnerável, entregue ao destino. Situações constrangedoras, sem dúvida. Sinto-me inútil, já não tenho forças. Chamem-me fraco, mas agora que estou aqui sem forças para continuar a lutar, porque não admito que me humilhem antes de ter atingido o meu limite, porque anteriormente a esse nível eu mantive-me de pé e dei o meu melhor. Apesar do meu orgulho ainda estar próximo e com ele todas as coisas de que não me arrependo de ter feito, não me é permitido esboçar um sorriso, porque o sabor da derrota ainda está bem patente nas minhas feridas e no meu estado de espírito, esse dissabor invade-me profundamente.


Se o autor dos factos que desencadearam a minha destruição interior ainda duvida dos resultados, pode agora festejar o sucesso, pois as consequências já se fizeram sentir cá dentro de forma incisiva.


Permanecerei aqui, casto na escuridão, em silêncio, mas cá no fundo há um voz que deseja gritar e não consegue pois perdeu todo o fôlego. Falta-me a firmeza, a defesa impenetrável.


A determinação acabou, a dor intensa prevalece.